segunda-feira, 2 de maio de 2011

Orelha - Pedro Salgueiro - Revista Muito



Pedro Salgueiro (Tamboril, Ceará, 1964) é da geração que ficou conhecida como Geração 90, por conta da compilação homônima organizada por Nelson de Oliveira. Salgueiro tem editados os livros de contos O Peso do Morto (1997), O Espantalho (1996) e Brincar Com Armas (2000).
Diz ele que, se essa tal Geração 90 tem algo em comum, é justamente a falta de um estilo ou temática em comum. De sua parte, prefere ambientar seus contos nas pequenas cidades.
Leia, na íntegra, a entrevista de Salgueiro à MUITO.

É possível ensinar a escrever?  Ensinar a escrever, sim, claro, com técnica, boa gramática e um estudo apurado; agora, escrever com talento é bem mais difícil. Acredito muito que exista uma capacidade inata para apreender o mundo ao redor e transportá-lo para o papel; assim como acredito também que sem um esforço de elaboração, de suor, de tentativas várias, não se consiga desenvolver um texto de valor maior. Um jogador de futebol esforçado pode até ser mais eficiente que um craque relapso, mas um craque esforçado vale por mil apenas esforçados.
O que mais te atrai no conto?  O desafio de tentar dizer tudo o que se tem em mente com pouquíssimas linhas, de contar uma história ou sensação sem ter que matar (como bem dizia Clarice Lispector) com palavras as entrelinhas. Acho que o contista, por causa desse desafio, tende a ter uma técnica mais apurada, um senso de escolha mais contundente. Como escreveu o argentino Cortázar, oescritor de contos  tem que ganhar a luta de boxe por nocaute (já o romancista pode muito bem se contentar em vencer por pontos), com um golpe certeiro.

Nunca tentou o romance, a poesia? Como quase todo jovem comecei escrevendo poesia, uma poesia muito ruim, imitando a ruim poesia dos poetas marginais dos anos 1970. Com o tempo, e quase sem querer, fui, naturalmente, indo para a prosa curta. Não acredito que um autor escolha o gênero em que vai escrever melhor, acho que o gênero é quem escolhe o escritor. Tem pessoas que até pra dar um recado dão arrodeios, fazem associações em várias direções, traçam paralelos, acabam (se não tiverem muito talento) confundindo o interlocutor; estes serão os romancistas. Outros enfeitam tudo que falam, tem uma presença de espírito em dizer coisas banais; escreverão poesias com êxitos. Já o sujeito seco, lacônico, fatalmente se sentirão atraídos pelo conto. Na maioria das vezes em que escuto essa pergunta de quando irei escrever um romance, percebo um certo ranço de preconceito para com o contista (não é o seu caso, acredito), como se o romance fosse um passo além… Então, para desafiar o interlocutor, costumo afirmar que escreverei um romance quando não tiver mais capacidade de escrever um bom conto (claro que devolvo o mesmo preconceito, mas serve como vingança).
Minimalismo é escolha estética ou dogma?  É tendência inata, não escolhi escrever contos curtos com uma consciência teórica, sempre fui lacônico, calado, casmurro… Tudo o que é derramamento sempre me enfadou muito. Talvez por eu ser de uma região muito seca (o sertão dos Inhamuns, no Ceará) tenha adquirido uma secura interior inconsciente; na minha região as pessoas são lacônicas, falam as frases pela metade, nunca completam o raciocínio começado, têm medo de que a quentura seque a saliva de suas bocas. Claro que a escolha dos meus autores prediletos seria por esses parâmetros, da contenção, da secura; da tentativa de dizer o máximo com o mínimo de palavras. Sempre fui fanático por Machado de Assis, Dalton Trevisan, Luis Vilela, Tchekov, Moreira Campos e outros mini(ani)malistas.
Qual o ponto em comum dos autores chamados Geração 90? Apesar de ter participado da coletânea Geração 90: Manuscritos de Computador, organizada por Nélson de Oliveira, eu nunca consegui ver uma identidade comum entre os muitos autores, eu mesmo sempre me senti um peixe fora d’água dessa turma toda, pois ainda faço uns contos ambientados em cidades pequenas, quando a maioria é bem urbana… Talvez o que pareça mais comum nessa minha geração seja a falta de traços comuns entre seus membros (risos). Sinto-me mais próximo talvez (descontando o desnível, claro) de um José J. Veiga, de um Graciliano Ramos; também percebo alguns pontos de contatos dos meus pequenos contos com os que fazem hoje, por exemplo, Ronaldo Correia de Brito (também cearense) e o sergipano Antônio Carlos Viana.
O que foi marcante na literatura nos anos 00? Acho muito cedo pra que se analise até mesmo a minha geração, que hoje é composta por tios grisalhos e barrigudinhos, quanto mais a essa safra maravilhosa de bons autores que pululam por aí em todos os estados; daqui a uns 20 anos talvez se vislumbre o pouco trigo perdido em meio a esse imenso matagal de joios. Mas nós precisaremos sempre de classificações, de amarras, de compartimentos estanques, de etiquetas… Muitas vezes um autor é bem mais próximo de outro que escreveu um século antes, outros estão  completamente à frente de seu tempo (estes, muito poucos). Aqui mesmo no Ceará e outros estado do nordeste vejo uma juventude muito afoita, muito aguerrida; mas dificilmente agora saberemos quem é fera mesmo, quem é só fogo de palha… o que se tem aprendido com o passar das gerações é que sobrevive bem pouca gente, e que nem sempre é quem está na boleia de sua geração (risos).
Como é seu processo de escrita? É uma mistura de intuição com técnica aprendida ao longo de anos de leitura; de erros muitos e acertos poucos; de muito papel riscado (ainda hoje escrevo à mão as três primeiras versões dos contos), de cada ano floresce duas ou três historinhas em meu jardim de cactos, quando muito. Gosto de ficar matutando a narrativa um bom tempo antes de pô-la no papel, mas às vezes elas vêm de uma vez com uma força danada, como uma transe espírita (o que sempre acho um mistério). Guardo por um bom tempo, releio, vejo se mantém ainda o fogo do início; penso em outras maneiras de contar a mesma história, faço variações, submeto a amigos escritores, à minha mulher, também mostro pra pessoas que não têm muita familiaridade com a literatura, pra ver alguns aspectos de compreensão, de efeito de imagens. Porque o conto tem várias camadas, alguns níveis de escrita nem todos vão perceber, mas acho que temos que fazer um bom balanceamento dessas camadas, pra que não caiamos nem no conto raso, anedótico, típico, nem na mera masturbação estética, preciosa, vazia.
Quem são os escritores que mais te influenciaram? Não dou conta de quantos, desde os livrinhos de caubói que lia na bodega de meu avô, que era viciado, fanático mesmo, passando pelos cordéis de feira (tão comuns em minha região), que passavam da voz dos cantadores para o papel ruim das tipografias, até os livros ditos literários mesmo. Sempre li de tudo, de literatura barata aos clássicos. Claro que com o tempo você vai se apegando a alguns autores, foram vários em diversas épocas, teve o tempo do realismo mágico, li tudo de Garcia Marquez, Vargas Lhosa, Cortázar, a época dos clássico nacionais, dos estrangeiros, me ficaram alguns autores de cabeceira, como Juan Rulfo, Graciliano, Moreira Campos, John Fante, Salinger, Dalton Trevisan, José J. Veiga e diversos outros que volto de vez em quando. Agora mesmo estou relendo todo o Tchekov que tenho guardado, e que prazer renovado, que força, que sensibilidade. Onde terá aprendido tanto da alma humana em tão pouco tempo de vida aquele discreto médico de província, de família miserável e atitudes discretas? Um mistério! Agora tento aprender é com o livrão do mundo, como disse Raduan Nassar em uma de suas raras entrevistas.
Que obra dita grandiosa você leu e achou ruim? Diversas grandes obras da humanidade li sem nenhum prazer, mais por incapacidade minha, por pressa, por estar mais interessado em outras coisas; de alguns autores esperava muito e me decepcionei, muitos anos depois, por contingência de um relançamento ou outro qualquer, fui reler e adorei. Uma grande obra não é nunca ruim, outros é que são os nossos anseios, expectativas. A primeira vez que li os contos de Juan Carlos Onetti achei um saco, monótonos, eu estava impregnado de García Márquez e seu turbilhão de imagens, não poderia gostar mesmo naquele momento, tempos depois me tornei fanático pela obra do uruguaio, que hoje tenho toda num lugar bem seguro da estante, sempre ao alcance da mão.
(Breno Fernandes)
Grupo A Tarde - BA.
fonte: http://www.atarde.com.br/revistamuito/?p=4881 acesso em 02/05/2011.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

PRONOMES - Classificação


Pronome


É a palavra que acompanha ou substitui o substantivo, indicando sua posição em relação às pessoas do discurso ou mesmo situando-o no espaço e no tempo.

Os pronomes podem ser:

» substantivos: são aqueles que tomam o lugar do substantivo.

Ela era a mais animada da festa.

» adjetivos: são aqueles que acompanham o adjetivo.

Minha bicicleta quebrou

Classificação dos pronomes

O pronome pode ser de seis espécies:

» Pronome pessoal

» Pronome possessivo

» Pronome demonstrativo

» Pronome relativo

» Pronome indefinido

» Pronome interrogativo

Pronome pessoal

O pronome pessoal é aquele que indica as pessoas do discurso. Dividem-se em retos e oblíquos.

Os pronomes pessoais retos são:


Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos

São pronomes oblíquos átonos: me, te, o, a, lhe, se, nos, vos, os, as, lhes.

São pronomes oblíquos tônicos: mim, ti, ele, ela, si, nós, vós, eles, elas.

Os pronomes pessoais oblíquos tônicos são usados com preposição e os átonos, com formas verbais:

A mãe ansiosa esperava por mim.

A mãe esperava-o ansiosa.

Emprego dos pronomes pessoais

» Os pronomes pessoais retos funcionam como sujeitos de frases:

Eu vou à loja, talvez ele esteja lá.”

» Os pronomes pessoais retos nunca aparecem depois de uma preposição. Torna-se obrigatório o uso dos pronomes oblíquos:

Entre mim e ti há uma distância enorme.

» Os pronomes oblíquos átonos oaosas exercem a função de objeto direto:

A enfermeira examinou-o.

» Os pronomes oblíquos átonos lhelhes exercem a função de objeto indireto.

O garçom oferece-lhe bebida.

» Antes de verbo no infinitivo só usamos eu e tu, jamais mim e ti.

Fizeram de tudo para eu me emocionar.

Fizeram de tudo para tu comprares a casa.

Pronomes pessoais de tratamento

Os pronomes de tratamento são aqueles que indicam um trato cortês ou informal, sempre concordam com o verbo na terceira pessoa.

Quando falamos diretamente com a pessoa, usamos o pronome de tratamento na formaVossa.

Vossa Alteza precisa descansar.

Quando falamos sobre a pessoa, usamos o pronome de tratamento na forma Sua.

Sua Alteza retornará em breve.


Pronome possessivo

São aqueles que indicam a posse de algo, estabelecendo uma relação entre o possuidor e a coisa possuída.

Minha casa está sendo reformada.


Emprego dos pronomes possessivos

Veja o exemplo:

“Meu carro estragou.”

Temos uma narração em primeira pessoa, em que o eu (personagem narrador) é o possuidor, o amigo (terceira pessoa, de quem se fala) é a coisa possuída.

» Há momentos em que os pronomes possessivos não exprimem a idéia de posse, mas indica respeito, aproximação, intimidade.

Meu senhor permita-me ajuda-lo.

Estamos orgulhosos por seus cinqüenta anos.

Escutávamos emocionados nosso Caetano Veloso.

» Antes de nomes que indicam partes do corpo, peças de vestuário e faculdades de espírito, não usamos o pronome possessivo.

Quebrei o braço. ( e não – Quebrei o meu braço.)

Pedro sujou a calça. ( e não – Pedro sujou a calça dele.)

Perdi os sentidos. ( e não – Perdi os meus sentidos.)

Pronomes demonstrativos

O pronome demonstrativo é aquele que indica a posição de um ser em relação às pessoas do discurso, situando-o no tempo ou no espaço.

São os seguintes:


Os demonstrativos combinam-se com as preposições de ou em, dando as formas deste,dessedissonaquelenaquelanaquilo.

Emprego dos pronomes demonstrativos

» Usamos os demonstrativos esseessaisso em referência a coisa ou seres que estejam perto da segunda pessoa (o ouvinte).

Esse caderno que está na sua mesa é meu.

» Também empregamos esseessaisso para mencionar algo já dito no discurso.

Todos achavam que ele não havia se arrependido. Achavam isso porque ele não agia como tal.

» Usamos esteestaisto em referência a coisas ou seres que se encontram perto da primeira pessoa (o falante).

Sempre que vejo esta carta lembro-me de você.

» Também empregamos esteestaisto no discurso para mencionar coisas que ainda não foram ditas.

Só posso dizer isto: odeio você.

» Aqueleaquelaaquilo são usados quando as coisas ou seres estão longe do falante e do ouvinte.

Aquela obra não apresenta boa segurança.

Pronomes relativos

Pronomes relativos são aqueles que se referem a um termo anterior.

Veja o exemplo:

O perdão de todos, o qual agradeço, é importante pra mim.

Os pronomes relativos são variáveis ou invariáveis:


Pronomes indefinidos

Pronome indefinido é aquele que se refere à terceira pessoa do discurso de modo impreciso, indeterminado, genérico:

Alguém bateu à porta.

Todos cumpriram suas tarefas.

Os pronomes indefinidos podem ser variáveis e invariáveis.


Algumas frases com pronomes indefinidos:

Todas as pessoas assistiram o filme.

Durante meia hora não vi pessoa alguma te procurar.

Escolheu qualquer roupa.

Um gosta de filme, outro de livros.

Há vários pais o procurando.

Em muitas situações temos não um pronome indefinido, mas um grupo de palavras com o valor de um pronome indefinido. São as locuções pronominais indefinidas:

Quem quer que, cada qual, todo aquele, seja quem for, qualquer um, tal e qual, etc.

Pronomes interrogativos

São aqueles usados na formulação de perguntas diretas ou indiretas, referindo-se à 3° pessoa do discurso.

Qual é seu nome?

Os principais pronomes interrogativos são:

» invariáveis: quem, que

» variáveis: qual, quais, quanto, quantos, quanta, quantas.

Pergunta direta:

A mãe perguntou: ― quem fez isso?

Pergunta indireta:

A mãe perguntou quem havia feito aquilo.

Nos dois casos o pronome interrogativo quem desempenha o mesmo papel.

domingo, 24 de abril de 2011

Paródia


Música: Metamorfose Ambulante
Artista: Raul Seixas

Paródia: O Usuário Ambulante
Artista: Gesso Oliveira

Não quero ser
Um usuário ambulante
Prefiro ser apenas um estudante
Do que ouvir meus velhos falando
Sobre tudo...

Não posso viver
Nessa vida de hoje em diante0
Prefiro obedecer meus pais
E ser um estudante
Do que ouvir meus velhos falando
Sobre tudo...

Sobre quem eu sou
Porque nem sei quem sou
Se hoje só um usuário
Amanhã sou um mau feitor.

Se hoje uso drogas
Amanhã sou um horror
Posso morrer como
Um dependente, um adolescente doente.

É bom usar
Apenas por instante
Mas prefiro ser um estudante
Do que ouvir meus velhos falando
Sobre tudo...

Do que ouvir meus velhos falando
Sobre tudo.

Sobre quem eu sou
Porque nem sei quem sou
Se hoje sou usuário
Amanhã sou um mau feitor.
Se hoje uso drogas amanhã
Sou um horror.
Eu Posso morrer
Como um dependente, um adolescente doente.

Eu vou morrer
Se continuar como um viciado
Doente e dependente
Prefiro ser um estudante

Do que ouvir meus velhos falando sobre tudo...

Do que ouvir meus velhos falando sobre tudo...

Do que ouvir meus velhos falando sobre tudo...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Soneto



AMOR É PARTIDA

Agora estou a pensar sobre o amor,
 Para Camões o amor é fogo que arde, é ferida, é dor,
Amar é respeitar, é entender, é aceitar e acreditar,
Porém, as pessoas estão desrespeitando e tentando enganar.

Nas palavras de Vinicius de Moraes versa
Que o amor é infinito enquanto dura
E só dura mesmo quando há conversa,
Quando o sofrimento não perdura.

Quem um dia na vida nunca se surpreendeu
E no sofrimento se envolveu
Só não conhece quem de amor nunca sofreu.

Estou sentindo que já é hora de ir
Seguir meu caminho e não vou insistir,
 É tanto amor que talvez seja hora de partir.

Andreazzo Lima

terça-feira, 12 de abril de 2011

A DENOTAÇÃO E A CONOTAÇÃO


FUNÇÕES DA LINGUAGEM


FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Função referencial ou denotativa: transmite uma informação objetiva, expõe dados da realidade de modo objetivo, não faz comentários, nem avaliação. Geralmente, o texto apresenta-se na terceirapessoa do singular ou plural, pois transmite impessoalidade. A linguagem é denotativa, ou seja, não há possibilidades de outra interpretação além da que está exposta. 
Em alguns textos é mais predominante essa função, como: científicos, jornalísticos, técnicos, didáticosou em correspondências comerciais. 

Por exemplo: “Bancos terão novas regras para acesso de deficientes”. O Popular, 16 out. 2008. 

Função emotiva ou expressiva: o objetivo do emissor é transmitir suas emoções e anseios. A realidade é transmitida sob o ponto de vista do emissor, a mensagem é subjetiva e centrada no emitente e, portanto, apresenta-se na primeira pessoa. A pontuação (ponto de exclamação, interrogação e reticências) é uma característica da função emotiva, pois transmite a subjetividade da mensagem e reforça a entonação emotiva. Essa função é comum em poemas ou narrativas de teor dramático ou romântico. 

Por exemplo: “Porém meus olhos não perguntam nada./ O homem atrás do bigode é sério, simples e forte./Quase não conversa./Tem poucos, raros amigos/o homem atrás dos óculos e do bigode.” (Poema de sete faces, Carlos Drummond de Andrade) 

Função conativa ou apelativa: O objetivo é de influenciar, convencer o receptor de alguma coisa por meio de uma ordem (uso de vocativos), sugestão, convite ou apelo (daí o nome da função). Os verbos costumam estar no imperativo (Compre! Faça!) ou conjugados na 2ª ou 3ª pessoa (Você não pode perder! Ele vai melhorar seu desempenho!). Esse tipo de função é muito comum em textos publicitários, em discursos políticos ou de autoridade. 

Por exemplo: Não perca a chance de ir ao cinema pagando menos! 

Função metalingüística: Essa função refere-se à metalinguagem, que é quando o emissor explica um código usando o próprio código. Quando um poema fala da própria ação de se fazer um poema, por exemplo. Veja: 

“Pegue um jornal 
Pegue a tesoura. 
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. 
Recorte o artigo.” 

Este trecho da poesia, intitulada “Para fazer um poema dadaísta” utiliza o código (poema) para explicar o próprio ato de fazer um poema. 

Função fática: O objetivo dessa função é estabelecer uma relação com o emissor, um contato para verificar se a mensagem está sendo transmitida ou para dilatar a conversa. 
Quando estamos em um diálogo, por exemplo, e dizemos ao nosso receptor “Está entendendo?”, estamos utilizando este tipo de função ou quando atendemos o celular e dizemos “Oi” ou “Alô”. 

Função poética: O objetivo do emissor é expressar seus sentimentos através de textos que podem ser enfatizados por meio das formas das palavras, da sonoridade, do ritmo, além de elaborar novas possibilidades de combinações dos signos lingüísticos. É presente em textos literários, publicitários e em letras de música. 

Por exemplo: negócio/ego/ócio/cio/0 

Na poesia acima “Epitáfio para um banqueiro”, José de Paulo Paes faz uma combinação de palavras que passa a idéia do dia-a-dia de um banqueiro, de acordo com o poeta.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil
Escola