sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Prece de Cáritas


Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade! 
Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. 
Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor,  para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.
Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas  fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão. 
E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.
Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.
Assim Seja.

Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinícius de Moraes

sábado, 10 de dezembro de 2011

CONVITE

DIA 14/12/11 - SHOW DE LÍNGUAS
DIA 15/12/11 - EXPOSIÇÃO DE SALAS TEMÁTICAS
ENCERRAMENTO COM PEÇA DE TEATRO - "dEsNoRtEaDoS - Deu a louca no mundo mágico" POR BRUNO MEDEIROS.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Pedro Bandeira declama "Mais respeito, eu sou criança!"


NÃO DEIXE O AMOR PASSAR


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.

(Carlos Drummond de Andrade)






segunda-feira, 28 de novembro de 2011

EEEP. ANTONIO MOTA FILHO

Queridos (as) alunos (as) amanhã dia 29/11/11 é um dia importante na Escola pois vocês irão fazer a primeira avaliação externa SPAECE (Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará),diante do compromisso e do empenho, acreditamos que farão uma boa prova! Seja um aluno (a) nota 10! Acreditamos em cada um de vocês! e não esqueça sua presença é INDISPENSÁVEL!!! até amanhã!

domingo, 27 de novembro de 2011

Madrugada


Pelo mês de setembro o tempo começa a esquentar. Sinto uma saudade dos ventos de julho, trazendo a frieza do mar distante. Nesses dias escuto, com o ouvido colado à parede, o barulho do trem chegando ao povoado: o chão vibra sob meus pés... Seguro o punho da rede, antecipo um leve tremor. Apresso-me na direção da janela que dá para a linha de ferro e fico esperando que ele cruze nossas ruas.
Em casa todos dormem, e só deixo de ouvir a respiração difícil de meu pai no instante em que a máquina chacoalha os trilhos, bem pertinho. Na estação ninguém aguarda parentes ou amigos. O trem rasga sozinho o descampado e se aproxima lento... Sem fazer alarde, pulo a janela e subo no benjamim do terreiro, para espiar melhor se alguém desembarca no meio da escuridão. Inutilmente apuro a vista, como sempre faço desde que me entendo por gente. Ao contrário do que era de se esperar, a minha angústia (minha esperança, para melhor dizer) aumenta a cada dia.
No início eu não compreendia bem o que me atraía à janela; sei que fui me acostumando a diferenciar o barulho do trem dos outros ruídos da noite... e quando ele ainda vinha longe, muito além das montanhas, eu já ficava atento... preparado para correr rumo ao jardim, tomando os devidos cuidados de não acordar os de casa. Fui crescendo e passei a sentir no meu corpo os sinais dessa aproximação, e se colava o ouvido à parede era apenas para entender melhor aquele tremor que somente eu percebia.
Durante os meses de vento, todos dormiam mais cedo, facilitando a minha espera madrugada adentro; mas, nesse calorão dos últimos dias, as pessoas se demoram nas calçadas, aguardando alguma brisa. Espero ansioso que se recolham e só me acalmo quando escuto o primeiro cantar de galo. Daí a pouco começo a sentir o leve tremor de sempre, então arregalo os olhos e aproveito cada minuto até a chegada da locomotiva.
De cima da árvore observo a estação deserta, nem parece que há décadas está abandonada... desde a passagem do último trem, quando todos vestiam as melhores roupas, calçavam suas mais finas sandálias e iam esperar parentes e conhecidos, ou simplesmente matar a curiosidade enfiando as cabeças nas janelas entreabertas. Hoje, não... tudo destroçado, a estação vazia, o capim cobrindo a plataforma... sequer os trilhos permanecem no lugar, os dormentes esquecidos no meio do mato.
Logo avistarei a máquina fazendo a curva da Rua de Baixo, diminuindo devagarinho a marcha ao se aproximar da estação. Apurarei a vista mesmo sem distinguir quase nada naquele escuro. Dentro de casa o mais absoluto silêncio... e, em todo o povoado, apenas eu acompanho a velha máquina a deslizar madrugada afora, afastando-se antes que os galos anunciem um novo dia.

Pedro Salgueiro